Uma embalagem com direito a janela de papel

A inovação ao serviço da sustentabilidade é cada vez mais assumida como prioritária pela indústria de embalagens. Assim é na Bolseira. A empresa aplicou este princípio ao desenvolvimento de uma nova embalagem para alimentos, em que substitui por completo o plástico. O resultado são sacos 100% papel.

Tudo começou em 2019 quando a empresa se focou na criação de uma nova versão da embalagem de papel com janela de plástico, embalagem esta que se tornou comum nas superfícies de retalho quando a legislação europeia ditou o fim dos plásticos de uso único.

Não obstante constituírem um passo na direção da sustentabilidade, estas embalagens continuam, ainda assim, a conter plástico – na janela que permite visualizar os alimentos nelas contidos. Foi precisamente eliminar este plástico – mas mantendo as características das embalagens, isto é, garantindo que continuavam adequadas para o contacto com os produtos alimentares – que se propôs a Bolseira, empresa da região de Aveiro especializada em embalagens de papel de pequeno porte.

É a administradora Helena Tribuna que dá conta deste desafio: subjacente está a necessidade de reduzir o consumo de plástico e, ao mesmo tempo, contribuindo para reforçar o compromisso do consumidor com a reciclagem, na medida em que, sendo 100% papel, a embalagem pode ser depositada integralmente no ecoponto azul. É que – afirma – havia a perceção de que, no momento de separar as embalagens para reciclar, o consumidor não isolava o plástico das embalagens semelhantes existentes no mercado.

A solução desenvolvida passou por utilizar papel kraft castanho no corpo da embalagem, substituindo o plástico da janela por papel cristal 10cm. Na prática, o saco já existia no portefólio da empresa, tendo sido feita esta alteração em termos de janela para visualização do conteúdo. Assim, do ponto de vista da utilização, o consumidor manteve os mesmos benefícios, a que acresce uma maior facilidade na reciclagem.

Colocava-se, ainda assim, um possível obstáculo: o custo associado à produção da nova embalagem. Helena Tribuna adianta que, face a este cenário, foram desenvolvidos “contactos com os clientes, de modo a perceber se comprariam um produto melhor do ponto de vista da sustentabilidade, apesar de mais caro”.

E a resposta foi favorável. A administradora da Bolseira refere que, “após a aplicação da nova contribuição sobre as embalagens de utilização única, este produto tem tido grande alcance”. E conclui que, “uma vez que, cada vez mais, o consumo de plástico é reduzido e taxado”, esta embalagem 100% papel “torna-se uma mais-valia, não só para o consumidor final, como também para o ambiente”.