O futuro anda a circular por aqui
A reciclagem de plásticos mistos tem que se lhe diga. E quando se trata de inovar nesta vertente, é bom ouvir o que a Extruplás tem a dizer. O seu projeto Extruplas Innovation começa por se destacar no desenvolvimento de três produtos com novas características técnicas e funcionais: bases de vedação, travessas para ferrovia (sulipas) e grelhas de enrelvamento.
Com mais de vinte anos de experiência, a Extruplás recicla, recolhe e recupera plásticos mistos, a partir dos quais produz referências em plástico 100% reciclado. E o que são plásticos mistos? São embalagens do quotidiano, como por exemplo pacotes de batatas fritas, cuvetes de manteiga ou copos de iogurte sólido.
Em 2021, a empresa apresentou o Extruplas Innovation, um projeto tecnologicamente inovador nesta área de atividade, todo ele pensado para recuperar matérias-primas secundárias (MPS) – neste caso, os plásticos mistos reciclados – permitindo o desenvolvimento de produtos com características muito diferenciadas à saída de uma máquina de injeção-extrusão.
Sandra Castro, diretora-geral da Extruplás, explica que este avanço tecnológico tornou a empresa “mais capacitada para valorizar o seu portefólio com produtos de diferentes geometrias, tamanhos e níveis de acabamento”.
Também as composições desses produtos passaram a ser mais homogéneas, compostas por fibras longas ou outros componentes cujas propriedades físicas, químicas ou mecânicas “são ajustadas às especificações técnicas dos diferentes clientes”.
O trabalho de investigação desenvolvido no âmbito do Extruplas Innovation levou a empresa a estudar, numa fase inicial, três novas soluções de destino para os plásticos mistos: as peças injetadas para bases de vedação, as sulipas de comboio e as grelhas de enrelvamento.


MPS: o que está a dar é recuperar
Este projeto foi todo ele pensado para recuperar MPS, concretamente, os referidos plásticos mistos reciclados.
É justamente esse o racional da economia circular, o que confere a maior relevância aos verbos limitar, aumentar, gerar. Que o mesmo é dizer: limitar o uso de recursos naturais, aumentar a proporção de materiais reciclados no ciclo de produção e gerar economia de energia.
Vejamos. Tanto as bases de vedação quanto as grelhas de enrelvamento incorporam 100% de MPS, percentagem que atinge os 60% no caso das sulipas de comboio, sendo os restantes 40% constituídos por cargas de fibras de vidro e grafite – um registo “bastante aceitável”, assinala a diretora-geral, revelando que há trabalho a decorrer para se conseguir, logo que possível, que essas cargas sejam igualmente recicladas.
O Extruplas Innovation implica positivamente com a reciclabilidade, conceito que avalia tanto as características específicas de um produto ou material, como a respetiva viabilidade para ser reciclado, ou integrar um ciclo de reciclagem. Na certeza de que os resíduos são matéria-prima e recurso circular – logo, sustentável.
A tecnologia inovadora de que falamos trabalha os plásticos mistos – termoplásticos que podem ser moldados repetidamente sob aquecimento e pressão. E o produto desenvolvido “é também ele reciclável, ou seja, após o seu tempo de vida útil pode entrar novamente na cadeia de produção, triturado e extrudido”, argumenta Sandra Castro.
SIGRE: naturalmente, mais eficiente.
Quando perguntamos pelo impacto do Extruplas Innovation, a diretora-geral refere com satisfação duas notas.
Por um lado, o notório aumento do volume de negócios da empresa e, a par desse registo, o incremento da eficiência do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE). Neste caso, com a ressalva dos constrangimentos gerados pela pandemia, que mexeram com o calendário do projeto e atrasaram a industrialização das sulipas de comboio.
“Temos ainda, juntamente com a IP [Infraestruturas de Portugal], o PIEP [Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros] e o CVR [Centro para a Valorização de Resíduos], de acompanhar e avaliar a prestação das sulipas durante mais algum tempo, esperando que os resultados se mantenham positivos, como têm sido até agora”, avança Sandra Castro.
Relativamente às bases de vedação, o novo projeto permitiu à Extruplás aumentar em 30% a respetiva capacidade de produção. “Só em dois anos, já vendemos mais de 40 mil peças”, destaca a responsável. E as perspetivas são consolidar a tendência de crescimento, apontando para cerca de 100 mil peças por ano, repartidas por clientes nacionais e internacionais.
I&D: o Planeta aprende-se.
O compromisso com o futuro, movido pelos desafios da economia circular, convoca a empresa a não descurar nunca o investimento em investigação.
A mesma atenção é dada ao modelo de aprovisionamento, no que reporta à relação e negociação com fornecedores: um procurement ativo de soluções tecnológicas inovadoras e ajustáveis à matéria-prima.
Foi com base nesses pressupostos que se desenhou o Extruplas Innovation, que contou com o apoio e cofinanciamento da Sociedade Ponto Verde. Um projeto, um propósito claro, uma ideia fixa: “conceber soluções técnicas significativamente melhoradas e diversificadas na vertente de peças moldadas”, frisa Sandra Castro.
A valorização do portefólio abre as melhores expetativas para ser relevante junto de novos segmentos de mercado. Especialmente os que elegem produtos de elevada exigência técnica. Uma coisa é certa, “a nossa atividade de I&D tem-nos permitido, cada vez mais, desenvolver soluções em linha com esses elevados critérios”.
Finalmente, o objetivo é “aumentar a eficiência do processo produtivo atual, reduzindo custos e melhorando a qualidade intrínseca do produto”, defende a diretora-geral.
Os projetos com a assinatura Extruplás percorrem, cuidadosamente, os três pilares da sustentabilidade.
Assim, o futuro acontece. E agradece.